A preservação ambiental é uma das principais questões levada em consideração para a produção impressa da revista Teia Literária. Visando contribuir para o equilíbrio ambiental a edição da Teia Literária, a partir do segundo número, passou a ser produzida em papel reciclato pela Gráfica Visão, uma empresa certificada com o selo verde pela demonstração da sua preocupação em preservar a natureza.
Foram os problemas ambientais que levaram o escritor português José Saramago, prêmio nobel de literatura em 1998, a aderir à campanha de proteção às florestas primárias do mundo coordenada pelo Greenpeace. O escritor pediu aos seus editores que publicassem sua obra em papel certificado pelo FSC (Conselho de Manejo Florestal), como mostram alguns dos seus comentários extraídos de uma entrevista concedida no ano de 2005.
Por que o senhor decidiu aderir à campanha do Greenpeace e pedir a suas editoras para que lançassem seu livro em papel certificado?
Confesso que nunca tinha pensado nisso antes . Eu estava interessado no que estava se passando no mundo neste particular, mas nunca tinha pensado em fazer algo a respeito. Então o pessoal do Greenpeace da Espanha procurou a mim e a minha mulher e me deram toda a documentação a respeito. Daí me dei conta da urgência de fazer alguma coisa. A partir desse momento decidi que meu próximo livro seria lançado de forma sustentável, utilizando papel certificado. E isso aconteceu tanto na edição portuguesa, quanto na brasileira (Companhia das Letras), nas espanholas (que irão para toda a América Latina) e na catalã. Provavelmente, as próximas edições a serem traduzidas, a alemã e a francesa, também terão um papel que respeite o meio ambiente. E os editores de Portugal e do Brasil foram tão receptivos à idéia que já acertamos que todas as reedições de meus livros anteriores também serão feitos com papel certificado.
O senhor espera que seu exemplo seja copiado por outros autores?
Espero que esse tipo de atitude se espalhe e, se editores e autores pensarem que essa é uma boa solução para a defesa do meio ambiente, isto pode ser o princípio de uma pequena revolução para salvar a vida do planeta.
Como o senhor vê hoje a crise ambiental que atinge o planeta?
Bom, a Amazônia vive hoje uma tragédia ambiental com a seca, e há uma grande preocupação com as tragédias como os furacões e inundações em todos os continentes. Deve-se pensar que o planeta é um planeta vivo, que já passou por períodos de secas, glaciações e está sujeito a essas catástrofes ambientais. Mas deve-se diferenciar as ações climáticas naturais daquelas causadas pelo homem. Por exemplo, o que está a acontecer na Amazônia por causa do corte de árvores. 17% da Amazônia já desapareceu. Se isso chegar a 30%, todo o regime de chuvas e umidade se modificará, com conseqüências drásticas para o planeta. O que realmente me preocupa é que a Amazônia não tem dono, ou não deveria ter. É tudo do Estado. Mas o que está acontecendo é uma total impotência do governo para controlar o processo de grilagem e invasão de terra públicas na Amazônia. A Amazônia está no Brasil e vocês são brasileiros. Então resolvam o caso.
Leia a entrevista na íntegra no link: http://greenpeace.org/brasil/institucional/noticias/exclusivo-s-a-o-de-todos-po-2